segunda-feira, maio 29, 2006

Não sei quantas almas tenho...

Alberto Caeiro


Novas Poesias Inéditas


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Alberto Caeiro

sexta-feira, maio 19, 2006

o meu perferido...

Encostei-me


Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.


Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

terça-feira, maio 16, 2006

Desculpa!!!

Estrela!


Não percebo o que aconteceu, mas o brilho do teu olhar desapareceu! Não sei quem apagou a luz do farol do nosso amor, mas vou acendê-la de novo, antes que a felicidade fuja e volte a dor! Estrela! Desculpa as atitudes do dia a dia, mas o medo de te perder era algo que sentia. Não sei se me podes perdoar ou não, mas eu estou aqui de coração, na mão, de peito aberto à tua espera e com todo o amor para te dar, magnifico como a figura da quimera! Estrela! Não me digas para te tentar esquecer, agora que te tenho não te vou perder! No olhar do não olhar, não volto para traz. Sinto o que sinto és a capataz, e zás mais um beijo que vejo! Estrela! O perfume que sinto é a ti que pertence, é o que sinto e este amor tudo vence! Noite de sexo, dias de fogo, neste doce de paixão, amo-te em cada bater do coração… Estrela! Desculpa as atitudes do dia a dia, mas o medo de te perder era algo que sentia. Não sei se me podes perdoar ou não, mas eu estou aqui de coração, na mão, de peito aberto à tua espera e com todo o amor para te dar, magnifico como a figura da quimera! Estrela! O perfume que sinto é a ti que pertence, é o que sinto e este amor tudo vence! Noite de sexo, dias de fogo, neste doce de paixão, amo-te em cada bater do coração… Estrela!


sábado, maio 13, 2006

CAGADA!?!?

[SONETO DA CAGADA]


Vai cagar o mestiço e não vai só;
Convida a algum, que esteja no Gará,
E com as longas calças na mão já
Pede ao cafre canudo e tambió

Destapa o banco, atira o seu fuscó,
Depois que ao liso cu assento dá,
Diz ao outro Oh amigo, como está
A Rita O que é feito da Nhonhó

Vieste do Palmar Foste a Pangin
Não me darás notícias da Russu,
Que desde o outro dia inda a não vi

Assim prossegue, e farto já de gu,
O branco, e respeitável canarim
Deita fora o cachimbo, e lava o cu.


Manuel Maria Barbosa do Bocage.

terça-feira, maio 09, 2006

Nas asas o teu coração!

Vou sentir…


Quando dizes que eu sou, olha para traz e vê, que não é assim tão fácil acordar! Eu sei que não me podes ver, neste abalo que me dá, sei que a vida não me pode dar! O teu ser, aqui vou sentir… Sentir-me só não é razão, sinto-me nas asas o teu coração!
Vou sentir…
Quero-te ensinar o que a vida me ensinou! Quero poder nunca acordar deste sonho onde sou… Hoje não é dia de acordar, hoje não é dia…. E eu quero morrer nos teus laços de amor, eu quero sentir… Sentir-me só não é razão, sinto-me nas asas o teu coração!
Vou sentir…
Quando dizes que eu sou, olha para traz e vê, que não é assim tão fácil acordar! Eu sei que não me podes ver, neste abalo que me dá, sei que a vida não me pode dar! O teu ser, aqui vou sentir… Sentir-me só não é razão, sinto-me nas asas o teu coração!
Vou sentir…
Onde estas tu agora que no meio desta luz eu não te vejo, que fazes no mundo que não encontro a tua sombra! Quero sentir, sentir-te aqui! É essa a razão que me faz amar! Não me sinto só! Sinto-me nas asas o teu coração!
Vou sentir…

sábado, maio 06, 2006

...

[SONETO DE TODOS OS CORNOS]
[José Anselmo Correa Henriques]

Não lamentes, Alcino, o teu estado,
Corno tem sido muita gente boa;
Corníssimos fidalgos tem Lisboa,
Milhões de vezes cornos têm reinado.

Siqueu foi corno, e corno de um soldado
Marco Antonio por corno perdeu a c'roa;
Anfitrião com toda a sua proa
Na Fábula não passa por honrado;

Um rei Fernando foi cabrão famoso
(Segundo a antiga letra da gazeta)
E entre mil cornos expirou vaidoso;

Tudo no mundo é sujeito à greta
Não fiques mais, Alcino, duvidoso
Que isto de ser corno é tudo peta.


Manuel Maria Barbosa do Bocage.

sexta-feira, maio 05, 2006

Vem ver o sol nascer...

Vem ver o sol nascer...


Quero que venhas comigo nesta viajem, quero k sintas este sabor, que vejas que é verdade não é miragem o que sinto por ti é amor! Quero voar até à lua numa noite escura de luar, quero acreditar que esta luz, que este brilho, são fruto do teu olhar! Vem sentir este toque, este gesto de paixão! Vem comigo nesta viajem, não tenhas medo dá-me a tua mão!
Vem ver o sol nascer, vem ver o sol nascer…
Quero-te sentir junto a mim, sentir o teu coração a bater no meu, sentir o teu respirar em mim e te dizer que o sorriso da minha alma é teu! Quero que venhas comigo nesta viajem, que vejas que é verdade não é miragem! Veste-me esse teu sorriso singelo, despe-me a dor…fica comigo no paraíso, quero-te a ti amor!
Vem ver o sol nascer, vem ver o sol nascer…
Nesta paisagem iluminada pelo luar, onde vejo sombras que aclaram os relevos, do teu corpo que espelham os medos do sentir, sorrir e amar! Quero que venhas comigo nesta viajem, quero k sintas este sabor, que vejas que é verdade não é miragem o que sinto por ti é amor! Quero voar até à lua numa noite escura de luar, quero acreditar que esta luz, que este brilho, são fruto do teu olhar!