sábado, abril 29, 2006

...

Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando dispertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são

Obscura luz paira onde estou converso
A esta realidade da ilusão
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão.

Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,
É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida.

Nada é real, nada em seus vãos moveres
Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida.


Fernando Pessoa, 28-9-1933.

sábado, abril 08, 2006

Acredito...

Acredito...


Acredito nas pessoas, acredito na bondade das pessoas! Sou um crédulo!? Acredito que dizes a verdade, que não me enganas com ela. Piedade! Não muito obrigado! Não a quero nem a mereço!
Esqueço tudo aquilo que dizes, versos, palavras, vou-me embora antes que me pises! Não! Fico para ver daquilo que és capaz, rapaz tenta lá isso outra vez! Sim, porque hoje tenho os olhos abertos, queres a resposta em prosa ou versos! Dentro de uma caixa com o teu nome, ou em mão, meu gnome! As tuas palavras vêem embrulhadas em papel químico, lê um livro para ver se deixas de ser cínico! O teu pensamento é obsceno, passas os dias a ver a miss Setembro! Agarrado á pilinha do papá, paneleiros como tu já não há! A ignorância é uma doença, não é simplesmente burrice! Guardas os esqueletos na dispensa, a polícia apanhou-te eu bem te disse! Que os teus esquemas um dia iam correr mal, não acreditaste, confiaste na bola de cristal. De mais um animal, que tenta enganar toda a gente, foste e és, mais uma mente demente! Eu bem te disse que era grossa e não cabia, foste burro ao ponto de a experimentar um dia! Meteste-te com ela, agora queres sair, andas moscado o dia todo a sorrir. Perdes-te a vida, não sebes bem a onde, queres que te dê uma mãozinha, responde: Se achas que a tua vida vale a pena? Deixa-te de mentiras, dessa cena! Ajudo-te se passares à fase de desintoxicação, dessa mente cega, que já entrou em detonação!
Acredito nas pessoas, acredito na bondade das pessoas! Mas já não sou crédulo! Acredito na verdade, mas já não me enganas com ela!


sexta-feira, abril 07, 2006

...

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.


Fernando Pessoa, 1931.

O pensamento...

O pensamento...


Penso e repenso todos os passos que dou, não sou calculista mas sei o que quero e por onde vou! Não esqueço o que fazes e o que não fazes por mim, mas repete lá isso, nunca pensei que fosses assim! A crueldade deu-te cabo do coração, não mereces as pessoas que estão ao teu lado que te dão a mão.

O pensamento é a minha droga,
A droga é o meu pensamento. (Mind Da Gap)

Enquanto digo o ABC, interrompes-me com perguntas estúpidas, mais de 50 vezes antes de chegar a Z! A tua inteligência é cadavérica, deixa-te de tretas que essa cena não é genérica! É antes uma opção de vida, preferiste o mal, não te queimes na tua própria saliva! Nunca te caiu bem as pessoas passarem-te à frente, esquece é demasiado para a tua mente! Demente, descarregada, encalhada! Volta a ingerir o teu cérebro para ver se recuperas um pouco daquilo que levou o vento!

O pensamento é a minha droga,
A droga é o meu pensamento. (Mind Da Gap)

Hipocrisia esguia, adelgaçada ao teu corpo, nunca pensei que estivesses tão morto, de ideias! Feias como tu! Cheiram mal como a merda, mas deixa lá isso é só mais uma pedra, no teu sapato. De facto, tens o mau gosto na ponta da língua e paragens no pensamento. O pensamento é a minha droga, a droga é o meu pensamento. Droga-me com palavras sensatas e inteligentes ao longo do tempo!

O pensamento é a minha droga,
A droga é o meu pensamento. (Mind Da Gap)